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Palavra do Diretor

 
Prof. Ivan Renner
Diretor Geral do Colégio Sinodal

 

Em meio às incertezas, saltos ousados, uns firmes e outros nem tão firmes

2016, como foi?

É redundante dizer que todo final de ano é hora de olharmos pelo espelho retrovisor, ver como foram os 365 dias vividos e trabalhados e rememorar para analisar e perceber os aspectos positivos e outros nem tanto.

Quando se vive uma profunda recessão econômica, com milhões de desempregados e empresas em dificuldades, como a vivida em 2015 e novamente em 2016 - nunca, na história brasileira, se experimentou nada igual -, juntamente com uma crise política, que parece não ter fim, chega-se à conclusão de que os poucos fatos positivos foram sufocados pelos negativos. Contudo, mesmo assim, não dá para esquecer que foi um ano importante. Como assim? Parece contraditório, mas não é!

O ano de 2016 caracterizou-se pelo, quem sabe, apogeu da Operação Lava-Jato e pelo Impeachment de uma Presidente da República. O povo brasileiro começou a ver e a perceber que a cadeia passou a ser não apenas reduto de apenados de classes menos favorecidas, mas, inclusive, de políticos e empresários que sempre se beneficiaram do poder público para a obtenção de privilégios em troca de outras vantagens pecuniárias vultosas.

Não há a necessidade de delongas nessas questões, pois todos nós, brasileiros, “estamos carecas de saber” (...).

Trata-se, agora, portanto, da responsabilização dos agentes públicos e privados. No Direito, denomina-se isso de “Erga Omnes”, i.e., “relativo a todos”. Em suma, como já foi dito, de repente está se percebendo que todos os que agem contrariamente à lei podem ser punidos, independentemente de sua classe social ou de seu grau de influência. Em outras palavras, o sol pode nascer para todos ou o sol pode deixar de lançar seus raios sobre qualquer um. Felizmente, está se conseguindo tocar no “nervo exposto” de muita gente.

Nesse contexto, há um outro aspecto a ser considerado: Lamentavelmente, estamos experimentando a “falência múltipla do Estado”. Por quê? Por tudo o que já foi exposto e também porque, através da história, o Estado Brasileiro se acostumou a um assistencialismo sem limites e a uma gastança sem vergonha e sem medida. Isso fez com que surgisse uma população dependente de um Estado que tende a dar em vez de oportunizar. E, consequentemente, agora tem salários atrasados e serviços públicos deploráveis.

Para exemplificar, agora só apontando para o campo da educação, nesses tempos, um professor que teve uma experiência conosco e anteriormente com uma escola pública, me disse:

“Aqui no Sinodal, aprendi muito. É impressionante o grau de responsabilidade que a gente tem que ter. Onde eu lecionava antes, se eu, por exemplo, tivesse faltado ontem, hoje, ninguém me perguntava o porquê ou o que tinha ocorrido.

Com um descaso desses o que há de se esperar em termos de formação e de qualidade na Educação?

O que fazer? Temos que tentar mudar profundamente a cultura na qual estamos inseridos, de uma ou de outra maneira. Por isso, entendemos que temos que ter, sim, medidas duras e remédios amargos. Caso contrário, sobrará muito pouco nesse país tão belo e com tantas e boas condições naturais e possibilidades reais.

A lei do “quem pode mais, chora menos”, a lei do “jeitinho”, a lei do descaso e a lei da “vantagem a qualquer custo” devem ceder lugar para uma cultura e uma única lei, onde possa vigorar a responsabilidade, o compromisso ético-moral e a solidariedade social.

Por onde começar? Pela família. Pela cobrança popular incessante para com todos os agentes políticos – eles devem começar a ajudar mais do que atrapalhar -  e, sobretudo, pela escola, para então se colocar como condição cultural de vida e de existência, para todas as crianças e jovens, desde cedo.

Alguém, não sei mais quem, já dizia, mais ou menos, assim:

“Se não dá para modificar o início, quem sabe, começamos a modificar o fim.”

E ainda, se, em outros países isso foi e é possível, por que não acreditar que isso igualmente pode e deve ser reinventado no Brasil?

 

No Sinodal, como foi?

 

Em termos gerais, é possível dizer que foi um ano de muito trabalho e com muitos e bons resultados, tanto pedagógicos, como administrativos.

Nunca tivemos tantos alunos matriculados! Em São Leopoldo, alcançamos 1.255 alunos e, em Portão, 422, totalizando 1.677. Só para ilustrar a abrangência: em São Leopoldo, tivemos alunos de 18 municípios diferentes e, em Portão, de 9. Isso mostra como pais e filhos, mesmo morando longe, quando fazem a opção por um ensino que prepondera a qualidade, não medem esforços e nem meios para que seus filhos possam ser os reais beneficiários.

Eles sabem que aqui, em São Leopoldo, como em Portão, valorizam-se muito os aspectos da horizontalidade — oferecimento de muitas atividades extraclasse, num verdadeiro bufê onde os alunos podem escolher aquelas que mais lhes agradam. Entre elas, cito somente algumas: Sinodal Idiomas, Bilíngue, corais, instrumentos musicais, oficinas e escolinhas variadas, treinamentos esportivos, Robótica, Teatro, Olimpíadas Brasileiras de Matemática e mais outras tantas — e os aspectos da verticalidade, ou seja, a base curricular é ampla e profunda, com muitos componentes curriculares/disciplinas e com uma carga horária interessante, o que, por sua vez, oportuniza ao aluno um aprofundamento e uma base cultural significativa.

Nesse sentido, estudos e experiências no mundo todo apontam que o elemento “tempo de estudo” é um dos importantes fatores para a qualidade de ensino e de estudo. É só ver o resultado que se tem quando se estuda, por exemplo, uma língua estrangeira. Entre estudar 1 a 2 horas semanais e estudar 4, 6 ou 10 h/s, a diferença no resultado é perceptível a olhos vistos. Isso se aplica a tudo.

Aliada ao elemento tempo, necessariamente deve estar sempre a qualidade pedagógica da escola. A instituição deve ser bem conduzida por toda uma orientação pedagógica atualizada e comprometida. Isso, com toda a certeza, percebe-se aqui, juntamente com o compromisso e a responsabilidade de todo o corpo docente e funcional.

A partir dessas prerrogativas, novamente, em 2016, obtivemos uma classificação exuberante no ENEM. Fomos, mais uma vez, a escola particular gaúcha com a melhor média no Ranking, considerando apenas as provas objetivas de 2015. Porém, se incluirmos a redação, ficamos em segundo lugar. Esse fato nos trouxe alegria, mas, mais do que isso, acarretou um aumento de responsabilidade. Agradecemos ao nosso corpo docente, aos alunos e aos pais.

A partir dos resultados tão favoráveis e repetitivos, é com frequência que as mais diversas pessoas nos perguntam: “Qual a receita para os resultados tão expressivos do Sinodal?”.

Apesar de não termos uma resposta uníssona ou uma fórmula específica, gosto sempre de ressaltar que é o reflexo de uma escola que acredita na sua proposta pedagógica abrangente e aprofundada. Além do mais, investimos muito, anualmente, na estrutura da escola em termos tecnológico, físico e didático-pedagógico, nisso incluindo a atualização permanente de todo o corpo docente. O bom ambiente vivencial e relacional entre os estudantes e os educadores é outro elemento fundamental, na opinião dos próprios alunos. A inovação é um fator também bem presente e visível no Sinodal, destacando-se aí a robótica com Impressora 3D. Espaços consideráveis para o esporte, a criatividade, a arte e a música também oferecem aos nossos alunos um desenvolvimento diferenciado da inteligência cinestésico-corporal, conforme Howard Gardner.

Resumindo, há muito trabalho e muito suor envolvido, e os alunos correspondem a tudo isso, porque, quando aqui chegam, geralmente respondem assim à pergunta:

“Por que você quer estudar aqui no Sinodal?”

“Estou vindo estudar aqui, porque eu quero mais, para poder chegar onde eu desejo...”

Por isso não é à toa que eles se dão bem nas melhores universidades e, depois, tornam-se líderes naturais nos seus futuros campos de trabalho. Por isso mesmo, em 2016, no ano do festejo dos 80 anos, reafirmamos o objetivo original do Sinodal, a saber, Educando para a Liderança.

 

Em se falando de atividades festivas dos 80 anos, não podemos esquecer de sublinhar a Inauguração de nossa nova Biblioteca, que ganhou o nome de Biblioteca Prof. Ernest Julius Sporket, numa homenagem justíssima para aquele que foi e ainda continua sendo uma referência para a imensa maioria de nossos ex-alunos, principalmente como exímio professor de Física.

Não por último, vale ressaltar que o nosso Bilíngue, inglês/português, alcançou, em 2016, a sua solidez. Todos os alunos do 1.º ao 3.º ano do Fundamental fizeram 2h/aula por dia, 10 h/a por semana, no turno inverso. O resultado está sendo festejado pelos alunos, pais e professoras. Em 2017, avançaremos para o 4.º ano e assim sucessivamente até o 9.º. Em pouco tempo, esses alunos serão fluentes em inglês. Isso será um diferencial evidente em termos linguísticos, nos dias de hoje e de amanhã.

Não podemos esquecer o Alemão, que teve um incremento de maior tempo de estudo, e o Espanhol, que também são oferecidos, porém em aulas regulares ou no nosso Sinodal Idiomas.

 

2017, como será?

 

Para 2017, os entendidos mais otimistas apontam um PIB positivo de 0,2 a 0,5. Isso é quase nada, mas não deixa de ser um avanço em relação a 2016. Em outras palavras, o vento está mudando, a previsão meteorológica ainda aponta para um clima instável, porém, o mar segue navegável.

Nesse contexto apropriado, é bom lembrar Paulinho da Viola, quando diz:

 “Faça como o velho marinheiro que, durante o nevoeiro, leva o barco devagar.” Isso é, com cuidado.

Tentando decodificar:

a)    O ano deverá ser com menos recessão e mais busca pelo reequilíbrio. É pouco sim, mas não deixa de ser alvissareiro esse pontapé inicial da recuperação.

b)    Há indícios que apontam para uma recuperação da atividade econômica já a partir do segundo semestre de 2017, mas em níveis moderados.

Para tal, já vieram e ainda virão reformas e mais reformas — a aprovação da PEC do teto com a consequente redução dos gastos públicos; o reequilíbrio da Previdência; a ampliação do nível de investimentos; o controle da inflação; e a redução da taxa de juros.

Tomara que esse conjunto, mais ou menos lógico, possa ser objetivo e, sobretudo, responsavelmente aplicável para que possamos vislumbrar dias melhores.

Pelos especialistas é dito que o país, para melhorar como organização social e política, precisa passar por esse profundo processo de depuração a fim de conseguir evoluir mais como nação. Também dizem que não há planejamento ou projeções econômicas mais ou menos seguras que resistam a um quadro como o atual.

 

E, no Sinodal?

 

Tudo indica que, nas nossas duas unidades, a de São Leopoldo e a de Portão, devemos ter um relativo aumento de matrículas, apesar da situação econômica não ser favorável. Nós temos percebido que as famílias têm se esmerado em dar a melhor educação aos seus filhos, assim como já relatei anteriormente, mesmo com dificuldades.

Em termos de estrutura, todos são testemunhas de que nós sempre passamos os últimos dias de dezembro, janeiro e fevereiro: reparando, melhorando, ampliando e aparelhando todo o complexo do Sinodal, seja aqui, em São Leopoldo, ou em Portão.

De maneira especial, devemos apontar e registrar que, em 2017, construiremos o prédio da Educação Infantil em Portão. Esse será o nosso maior investimento.

Em termos pedagógicos, temos a assinalar que, em Portão, daremos início a mais dois cursos profissionalizantes: o Curso Técnico em Administração e o Curso em Segurança no Trabalho.

Aqui, em São Leopoldo, saudamos, cada vez mais, o crescimento do Bilíngue, como já relatado anteriormente.

No mais, com um corpo docente cada vez mais qualificado e atualizado, com uma equipe de coordenações atenta e competente e com um quadro administrativo e funcional comprometido, além de alunos e pais engajados numa vida escolar frutífera, deveremos ter, certamente, um ano com bons resultados e com uma vivência saudável.

 

Como Sinodal e/ou como professores, a que precisamos estar atentos e o que ainda temos de aprender?

a)    Homo sapiensHomo videns? E nós, em meio a isso?

Giovanni Sartori, experiente cientista político italiano sobre problemas da atualidade, autor dos livros Homo videns: Televisione e Post-Pensiero, 1997, e A primazia da imagem, afirma que “o uso da internet, computadores, smartphones, etc. tem como denominador comum o ‘tele-ver’ e, como consequência, o ‘vídeo-viver’”. Constata que o homem criou o Homo videns.

Ele continua sublinhando que “esse personagem do Homo videns substituiu o Homo sapiens, produto da cultura escrita”.

Em resumo, é a imagem que está substituindo a palavra e a escrita. Finaliza, dizendo que, a partir desses pressupostos, “há um novo personagem: o videocriança. Essa criança é educada pela imagem da TV, do celular, do Ipad, etc.”.

Desse modo, a criança, antes de aprender a ler e a escrever, é essencialmente educada pela imagem. Ela é absorvida e fascinada pela imagem. Esse fato, afirma ele, deixa os pais mais livres e as crianças mais ocupadas.

Pergunto: Não são essas as cenas que realmente vemos, cada vez mais, por aí, nos restaurantes, consultórios ou em qualquer outro ambiente?

Hoje em dia, em qualquer meio de comunicação, o importante é ver, mesmo sem entender.

Diz ele ainda: “Todos estão cada vez mais conectados. Isso é bom, porém precisa ser útil para não produzir uma vida inútil – viver para matar o tempo!”.

Como escola, como educadores, mais do que professores, é importante que nos apercebamos disso para poder orientar os alunos, ajudá-los no aprofundamento e tirá-los da superficialidade e do fast-food da aprendizagem.

Resumindo, a tomada de consciência é sempre o primeiro passo para adotar uma posição e, então, ampliar ou modificar os hábitos em seu benefício.

A escola, então, tem que aprender, cada vez mais, mas também tem algo a dizer e a fazer. A imagem e a informação, por si só, são muito pobres. O que falta é transformar tudo isso em conhecimento, mas de maneira interessante e significativa.

 A essencialidade da escola, nesse processo, é mais do que fundamental, é essencial.

Portanto, temos “um tema” pela frente. O professor, sobretudo para nós, Colégio Sinodal, tem uma importância muito grande. Porém, importa que ele também se aproprie, gradativamente, desse processo de imagem do aluno e adeque seus planos, técnica e didaticamente, para conseguir motivar e estimular os estudantes a fim de que eles interajam plenamente em suas aulas.

b)  “O salto em pedras firmes” – o sonho numa perspectiva prática (!?)

Para finalizar, as pessoas, em geral, gostam muito de falar em sonhos. Todos que foram ao último Congresso da Rede Sinodal, em Jaraguá do Sul/SC, em julho do ano passado, lembram-se do Prof. Dr.  Leandro Karnal, historiador e filósofo, da USP. Ele foi um dos palestrantes daquele importante conclave.

No dia 1º de janeiro deste ano, numa de suas aparições na Bandnews, disse algo bem interessante sobre esse tema. Declarou ele que, para se ter um sonho, precisa-se ter um compromisso e esse compromisso deve estar sempre direcionado para três aspectos:

1)    Estímulo.

2)    Ação.

3)      Recompensa.

Tentarei explicitar um pouco mais esses aspectos, a partir de uma perspectiva educacional, por isso o que coloco a seguir está aberto para os acréscimos de vocês, professores, pais e alunos.

Para se ter um Estímulo, é preciso estar convencido de que algo é interessante, bom e necessário; de que é algo que justifique a minha atenção, o meu tempo e, sobretudo, a minha Ação.

Esse Estímulo ou motivação deve me convencer de que a Ação é necessária, como foi dito antes, e de que o sacrifício, a constituição do hábito ou da Ação – para eu poder alcançar o que pretendo ou preciso –, é menor que o resultado e a Recompensa.

Mas a questão é: como eu irei alcançar o resultado? Eu precisarei, com toda a certeza, conseguir introjetar organização e hábitos. Uma organização razoável e o estabelecimento de hábitos irão, sem dúvida, ajudar-nos no caminho para o alcance   do resultado ou da meta.

A Recompensa nada mais é do que a própria meta alcançada ou, em outras palavras, o que justificou todo o esforço e toda a dedicação e o que nos trouxe algo bom ou vantajoso. Isso pode ser, por exemplo, o “passar de ano” que, a meu ver, é pouco. O ideal seria se o estudante chegasse a dizer: “Valeu! Aprendi muito nesse ano”. Também pode ser o “Estou aprendendo cada vez mais e começando a entender isso e mais aquilo”. Ou tantas outras falas onde o aluno enalteça resultados positivos.

Sem sombra de dúvidas, o Estímulo ou a motivação, a Ação com organização e com hábitos e a Recompensa ou resultados se constituem num valioso processo que funciona para quase tudo, e aqui, mais particularmente, para a vida escolar do aluno.

Entendemos que o estudante, na construção de sua atividade escolar, deve ter um estímulo próprio ou, se não, alguém, pais e/ou professores, devem constantemente apresentar incentivos e motivações. Alegro-me, pois, aqui, no Sinodal, a maioria dos professores são assim, motivadores constantes e incansáveis com seus alunos.

Por questões metodológicas ou estratégias de ensino, vale ressaltar que o professor, na sua atividade pedagógica, ao abordar um tema qualquer, deveria, na medida do possível, começar sempre de tal maneira que conseguisse operar no aluno a curiosidade e o fascínio e não começar logo pela parte mais insossa ou maçante.

 Conseguir trazer a atenção do aluno para a aula, conseguir fazer com que a curiosidade permaneça acesa de um período para o outro é ação educativa dos grandes mestres. Eis um desafio permanente que vale a pena.

c)   A prática da ousadia do salto

“Descobrir a beleza adormecida em cada ser humano e abrir as avenidas fundamentais dos sonhos.”

Com certeza, deve ser conhecida da maioria de nós a afirmação acima. Ela é de Rubem Alves, referindo-se à função da escola.

Quem sabe – vale a pena a gente se perguntar, como professores e, sobretudo, como escola – como está a motivação e o fascínio de nossos alunos no que se refere ao estudo?

Outra pergunta que se encaixa no mesmo contexto é: Como nós, escola e alunos, devemos lidar com o certo e o incerto, já que os prognósticos futuristas dizem que, em 20 anos, cerca de 60% das profissões hoje existentes não mais persistirão ou serão muito modificadas?

Como superar essa situação ou o que ensinar hoje aos nossos alunos para que eles possam se sair bem quando estiverem formados e prontos para entrarem no mercado de trabalho?

Para tal, volta e meia, é importante fazer uma pausa e perguntar:

Então, qual é o sonho de nossos alunos, sejam eles crianças ou jovens?

Quem sabe, Nietsche pode nos ajudar quando diz: “É preciso navegar. Deixando atrás as terras e os portos dos nossos pais e avós, nossos navios têm de buscar a terra de nossos filhos e netos, ainda não vista, desconhecida”.

Mas, para esta aventura, meus mapas não lhe bastam. [...] Você terá de navegar dispondo de uma coisa apenas: os seus sonhos. Os sonhos são os mapas dos navegantes que procuram novos mundos. Na busca de seus sonhos, você terá de construir um novo saber, que eu mesmo não sei [...] E os seus pensamentos terão de ser outros, diferentes daqueles que você tem agora. (Nietsche)

Nós, através de nossas aulas, experiências, pesquisas, oficinas, viagens de estudo, etc., tentamos ensinar e indicar aos nossos alunos caminhos, mais ou menos, seguros e sólidos. É bem verdade que todos esperam que mostremos caminhos com pedras firmes no chão, para que eles possam seguir avante.

Mas o que fazer quando se tem de caminhar por um rio saltando de pedra em pedra, cada pedra uma incógnita? Ah! Como são diferentes o corpo movido pelo sonho, do corpo movido pelas certezas. O primeiro salta para diante: a esperança e o pressentimento põem asas nos seus pés. Pesadamente o segundo arqueja em seu encalço e busca esteios melhores para também alcançar aquele alvo sedutor, ao qual seu companheiro mais divino já chegou. Dir-se-ia ver dois andarilhos diante de um regato selvagem, que corre rodopiando pedras: o primeiro, com pés ligeiros, salta por sobre ele, usando as pedras e apoiando-se nelas para lançar-se mais adiante. [...] O outro, a todo instante, detém-se desamparado, precisa antes construir fundamentos que sustentem seu passo pesado e cauteloso; por vezes isso não dá resultado e, então, não há deus que possa auxiliá-lo a transpor o regato. (Nietsche)

Temos que reconhecer que, até agora, com maior ênfase, ensinamos a caminhar em passos firmes. Os sólidos fundamentos sempre são uma boa referência, em todos os tempos. Porém, vale refletir: Nesse sistema, o nosso aluno desenvolve o “fascínio de ousar”? Por isso, podemos dizer e grifar que tudo o que leva para a criatividade e para a fantasia, o quanto antes, desde a Educação Infantil e perpassando por todos os níveis, com toda a certeza, se constituirá em fundamento para a ousadia, elemento preponderante, na minha opinião, para a construção de soluções em áreas diferentes e desconhecidas. Assim, as mais diversas linguagens, a capacidade de trabalhar em grupo, o incessante espírito investigativo e de pesquisa, a atualização tecnológica, a capacidade de liderança, entre outros são elementos constitutivos fundamentais para os profissionais do futuro.

O Prof. Osvino Toilier, vice-presidente do Sinepe, em uma de suas reflexões, cita Nietsche, quando se referiu, ao que devemos ou não devemos ...

Não ter medo da queda. Foi assim que se construiu a ciência: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham. [...] Mas, sonhar é coisa que não se ensina. Ele, o sonho, brota das profundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra. Como Mestre só posso então lhe dizer uma coisa:

“Conte-me os seus sonhos, para que sonhemos juntos”. (Nietsche)

Isso significa boa base cultural, bom senso, sensibilidade, capacidade dialógica e, sobretudo, predisposição para andar ombreado com quem caminha conosco.

Oxalá que possamos caminhar assim com os nossos alunos e também com nossos colegas professores, certamente, em meio a pedras firmes e outras nem tão firmes assim.

Que Deus possa sempre nos dar o querer e também o fazer.

 

Prof. Ivan Renner

Diretor Geral